
A publicação de antes e depois na odontologia gera dúvidas porque a regra não cabe em frases como “está liberado” ou “é sempre proibido”. A Resolução CFO nº 196/2019 regulamentou a divulgação de imagens de diagnóstico e conclusão de tratamentos, mas estabeleceu condições e preservou proibições.
Este conteúdo é educativo e não substitui consulta ao CRO, CFO ou assessoria jurídica. O caso concreto deve ser revisado pelo profissional responsável.
O que a Resolução nº 196/2019 autorizou
A norma autoriza a divulgação de autorretratos e de imagens relativas ao diagnóstico e ao resultado final de tratamentos odontológicos, desde que observadas suas condições.
O próprio CFO esclarece que não houve liberação indiscriminada. A divulgação deve estar ligada ao tratamento realizado pelo cirurgião-dentista que publica e exige autorização prévia do paciente.
Diagnóstico e conclusão não são passo a passo
Uma distinção importante é entre:
- imagem inicial relacionada ao diagnóstico;
- imagem da conclusão do tratamento;
- imagens do transcurso, da técnica ou do procedimento em andamento.
O CFO reforça que publicações de “antes, durante e depois” ou de passo a passo podem configurar infração conforme o Código de Ética. Mostrar etapas cirúrgicas não é equivalente a apresentar diagnóstico e conclusão.
Quem pode publicar
Segundo os esclarecimentos do CFO, a divulgação deve ser feita pelo profissional que realizou o procedimento. Clínicas e pessoas jurídicas precisam avaliar com cuidado a reprodução de casos de integrantes da equipe e a responsabilidade sobre seus canais.
Não presuma que uma autorização genérica permite publicar em qualquer perfil, anúncio, site ou material patrocinado.
Autorização do paciente
A autorização deve ser prévia, livre e específica para a finalidade. O documento precisa explicar onde e como a imagem poderá ser usada.
Também é importante considerar:
- possibilidade de revogação e efeitos aplicáveis;
- prazo de uso;
- canais autorizados;
- armazenamento seguro;
- acesso aos arquivos;
- ausência de condicionamento do tratamento à publicidade.
Como imagens e informações relacionadas à saúde podem ser dados pessoais sensíveis, a análise deve incluir a LGPD. Consentimento para atendimento não equivale automaticamente a consentimento para divulgação.
Identificação da publicação
A publicidade odontológica deve conter identificação profissional conforme o Código de Ética. Nome e número de inscrição precisam aparecer de forma adequada; especialidades e qualificações divulgadas devem corresponder aos registros permitidos.
Em um site, essas informações podem estar na página do profissional e no contexto do caso, mas a organização precisa ser validada pelo responsável.
Resultado individual não é garantia
Mesmo quando a imagem é verdadeira e autorizada, ela representa uma resposta individual. Biologia, condição inicial, adesão, técnica, materiais e acompanhamento influenciam o resultado.
Por isso, evite legendas como:
- “resultado garantido”;
- “seu sorriso ficará assim”;
- “transformação perfeita”;
- “sem risco”;
- “resultado em tempo recorde”.
O contexto educativo deve deixar clara a individualidade do tratamento.
Manipulação e edição
Filtros, retoques, mudanças de cor, recortes enganosos, iluminação incompatível e ângulos diferentes podem distorcer a comparação. Mesmo ajustes estéticos aparentemente pequenos reduzem a confiabilidade.
Padronize fotografia clínica e preserve o arquivo original. Se houver corte apenas para adequar o formato, não elimine informações relevantes nem altere a percepção do resultado.
Site, redes sociais e anúncios
O risco muda conforme o contexto. Uma imagem dentro de uma explicação educativa não funciona da mesma forma que um anúncio patrocinado com preço, urgência e promessa.
Antes de usar um caso em landing page, avalie:
- O profissional realizou o tratamento?
- Existe autorização específica para aquele canal?
- A identificação obrigatória está correta?
- São mostrados diagnóstico e conclusão, sem transcurso proibido?
- A imagem está íntegra e não manipulada?
- O texto evita garantia e superioridade?
- O paciente pode ser exposto ou constrangido?
- CRO e assessoria foram consultados em caso de dúvida?
Alternativas para construir confiança
Uma clínica não precisa depender de antes e depois. Também pode demonstrar autoridade com:
- apresentação da equipe;
- explicação do processo;
- fotografias reais da estrutura;
- conteúdo educativo revisado;
- perguntas frequentes;
- tecnologia descrita sem promessas;
- casos narrados de forma anônima e autorizada, quando aplicável;
- clareza de localização e atendimento.
Esses elementos ajudam o paciente a escolher sem reduzir o tratamento a uma imagem final.
Conclusão
O antes e depois odontológico é uma possibilidade regulamentada, não um recurso livre de condições. Autoria, autorização, integridade, identificação e contexto precisam ser avaliados juntos.
Veja como a Sobrero trabalha páginas para odontologia ou solicite uma revisão da estrutura do site.
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